O CORPO E A ALMA = VIDA

Na verdade o homem usa o barco e quando esta tentando sair do rio percebe que o barco está com algumas partes prestes a se abrir no fundo, também percebe que perdeu um remo e existe apenas um. Ele procura se dividir em dois, em corpo e alma e se joga ao mar e diz a si mesmo: vou ficar a deriva, só preciso ter precaução com os predadores que eu não conheço, não sei onde ficam e se realmente vão aparecer. Aí ele se senta no barco, torna-se um grande inimigo de si mesmo, volta as costas para sua alma e continua a deriva e fica com o remo sempre próximo dele, caso necessite. Mas se cansa de toda precaução em relação ao mar e perde a suas forças, solta o remo e adormecido nas suas ilusões, ele se sente ainda mais desprotegido, porque percebe que não existe mais o remo e que a água pode a qualquer momento invadir o barco. Percebe também que está sozinho, que tirou de si o que tinha de melhor e se deixou ao longe sem perceber e estava buscando sua lenta morte. Ele resolve a ficar de pé e olhar para todos os lados e gritar por socorro, só então percebe que está completamente sozinho e precisa de alguém para falar, precisa pensar em algo para não enlouquecer. Ele se volta e procura dentro dele o que sempre recusou a encontrar. Começa a travar uma grande luta interior porque tudo que acreditava já não existe mais, ele precisa se alto afirmar e começa a brigar consigo mesmo, a discordar que o mar é infinito, que existe dentro dele algo que está clamando sua atenção, se recusa a reconhecer a mesma chance que existe para sair desse lugar. Não suportando mais, ele resolve abandonar o barco, sabendo que no fundo do mar também existem os perigos ao qual esta fugindo e lentamente vai caindo na profundeza do mar e quando percebe que no espaço onde está não existe nada daquilo que pensou; se sente completamente só, nem as algas, nem os peixes, nada do que supunha existir está ali para recebe-lo, apenas a água a qual precisa se defender. Mesmo assim, a água "o" devolve para a praia. Quando olha para praia, ele consegue perceber as duas partes, o físico e a alma e novamente se sente perdido porque perdeu uma parte daquilo que ele achava que era o todo , quando ele se vê apenas uma parte, logo pergunta onde procurar a outra parte e neste momento percebe que tudo que buscava ao longo da caminhada estava ali naquela parte essencial íntegra e imperecível. No seu desespero é extremamente dolorido se juntar novamente a qualquer coisa que pudesse ser matéria, gostaria de se misturar a areia da praia, ao vento, ao mar a qualquer coisa, mas uma voz interior lhe acusa momentaneamente e lhe diz: você teve uma oportunidade muito grande durante este ano que esteve nesta matéria e desperdiçou cada um dos seus preciosos momentos, recusou-se a crescer a se encontrar e a ver que além da sua carne existia algo mais precioso. Pensem nisso!!!